Consumo e recomendações de proteínas para bariátricos

Consumo e recomendações de proteínas para bariátricos

Nas últimas décadas, a obesidade tornou-se um dos maiores problemas de saúde pública, e na busca por tratamentos para esse mal e doenças associadas, a cirurgia bariátrica firmou-se como a opção mais efetiva e com resultados sustentáveis a longo prazo. Apesar da importante perda de peso, algumas complicações nutricionais podem advir dos procedimentos bariátricos. Aqui, vou focar na prevenção e tratamento das deficiências advindas do menor consumo de proteínas.

As operações mais amplamente executadas são Bypass Gástrico em Y de Roux e cirurgia de Sleeve. Com a alteração na anatomia do estômago, há uma menor capacidade gástrica para ingestão de alimentos, incluindo dificuldade no consumo de proteínas.

Além da menor produção de ácido, causado pela redução do estômago, e menor contato com sucos digestivos, há uma alteração na digestão dos alimentos.

A literatura (Steenackers, 2017) recomenda a ingestão de pelo menos 60g de proteína ao dia nas fases iniciais de pós-operatório. Depois, recomenda-se 1,5g de proteína por Kg de peso ideal, o que reflete em 80 a 120 gramas de proteína, aproximadamente.

Estudos recentes relacionam ainda menor consumo de alimentos que são fontes de proteína a uma alteração no olfato e paladar dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

O corpo requer proteína diariamente e muitas vezes é difícil entender esse mecanismo, pois não adianta comer bastante proteína em um dia e pouca quantidade em outro dia. O que faz o indivíduo reduzir ou evitar a perda de massa muscular e ter boa saúde é manter os níveis de aminoácidos, moléculas de proteínas quebradas pela digestão, sempre altos no sangue, ou seja, incluir fontes de proteína em quase todas as refeições ao dia.

Proteínas animais x proteínas vegetais

Outro ponto importante é a qualidade. Proteínas de origem animal (leite e seus derivados, queijo, ovo, carne, peixe e frango) são completas, ou seja, possuem todos os aminoácidos necessários para o organismo humano. Eles são chamados de essenciais e precisam ser fornecidos pela dieta, pois o nosso corpo não consegue sintetizar. Ingerir fontes de proteína animal facilita o aporte de aminoácidos essenciais.

Proteínas vegetais nem sempre são completas com todos os aminoácidos essenciais, por isso é bom checar com seu nutricionista se desejar incluir proteínas vegetais em maior quantidade na dieta.

Quantidade ideal

A questão da quantidade diária é a que mais chama a atenção no paciente bariátrico. Quando calculamos o consumo ou a recomendação de proteína, determinamos a dose diária de 80 gramas. Transformar isso em cardápio exige algumas contas e tabela precisa, por exemplo: 2 fatias de queijo possuem 10g de proteína, 1 bife médio tem 20g, um iogurte possui 7g, em média, assim como um ovo.

Como vocês podem observar, não é fácil atingir 80 ou 100 gramas de proteína, e o principal fator é a redução da capacidade gástrica. Nesse sentido, pode-se acrescentar suplementos de proteína, que têm baixo teor de gorduras e carboidratos, além de ser uma maneira prática de atingir a recomendação.

A deficiência de proteínas na cirurgia bariátrica pode levar a perda de massa muscular, com perda também da capacidade funcional muscular, a chamada sarcopenia. Também pode haver queda da imunidade, fraqueza e queda de cabelo. Outros estudos (Kanerva, 2017) relacionam aumento de proteína com maior saciedade e menor risco de recidiva da obesidade.

É sempre bom ficar atento ao consumo de proteína e consultar dicas e tabelas de consumo com seu nutricionista. Deixo aqui algumas dicas que dou aos meus pacientes:

  • Comece a refeição pela proteína. Assim, se ficar saciado, já vai ter ingerido o essencial para manutenção da massa muscular;
  • Tente incluir um ovo mexido ou cozido no café da manhã ou almoço;
  • Procure os iogurtes com maior teor proteico;
  • Acrescente queijo em várias preparações: panquecas, pães integrais, lanches e com carnes;
  • Troque o arroz por quinoa, algumas vezes na semana, pois ela tem um teor maior de proteína.

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